Fazer parte da Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica não é apenas uma adesão a um grupo, mas um compromisso com uma prática ética, política e subjetiva que desafia a tradição psicanalítica.
Fazer parte da Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica não é apenas uma adesão a um grupo, mas um compromisso com uma prática ética, política e subjetiva que desafia a tradição psicanalítica e propõe um novo modo de escutar, pensar e existir. Nossa atuação não se limita ao campo acadêmico ou clínico; ela se insere diretamente nas lutas contra o racismo estrutural, a colonialidade do saber e as formas de exclusão que historicamente negaram às populações periféricas o direito à subjetivação plena. Nesse sentido, não é um lugar para ganhar dinheiro, mas na medida da gratuidade possível.
Participar desse projeto significa reconhecer que a escuta periphérica é um ato de responsabilidade e de transformação coletiva. Nossa escuta não é neutra, não é bancária e não está a serviço da adaptação dos sujeitos a uma ordem violenta e opressora. Ela é insurgente, implicada e comprometida com a reinscrição dos corpos racializados e marginalizados na história e na psicanálise.
Ser membro da escola exige compromisso ético com os princípios que sustentam nossa prática.
A escuta periphérica não pode ser uma prática mecânica ou descontextualizada. Ela exige sensibilidade, muita leitura crítica das estruturas de poder e a capacidade de sustentar o desejo do outro sem reforçar as violências que o atravessam.
Ser membro da escola significa construir coletivamente esse espaço de resistência e transformação. Não há lugar para o individualismo acadêmico ou clínico; nossa formação e atuação são compromissadas com a partilha, a troca e o aquilombamento.
Nosso compromisso é com a desconstrução das hierarquias coloniais que sustentam a psicanálise tradicional. A escuta periphérica exige um trabalho constante sobre o próprio lugar de fala, sobre os privilégios e sobre os modos de operar dentro do coletivo.
Trabalhamos com a palavra e sabemos que ela pode ser um recurso na direção de cura, mas também de violência. A escuta periphérica exige responsabilidade com o que se diz e com a forma como se escuta.
Se a psicanálise tradicional sempre buscou domesticar, adaptar e silenciar os sujeitos periféricos, a Escuta Periphérica é um chamado para a radicalização do pensamento e da prática. Participar desse coletivo é fazer parte de um projeto histórico de resgate, criação e inscrição de novas formas de subjetivação que se recusam a pedir permissão para existir.
Nossos seminários estão organizados em eixos de formação que guiam o percurso do participante na Escola Psicanalítica da Escuta Periphérica.
Seminário sobre os conceitos fundamentais de uma Escuta Periphérica
O curso propõe uma investigação teórica e clínica a respeito das noções fundamentais de desejo inconsciente e de gozo nas perspectivas de Sigmund Freud e Jacques Lacan.Em um primeiro momento, buscaremos compreender como o desejo, estruturado pelo inconsciente, opera na constituição do sujeito dividido e sua relação com o corpo, a lei e a linguagem. O segundo momento do curso visa compreender a virada teórica operada por Freud a partir de 1920 com o estabelecimento da noção de pulsão de morte e compulsão à repetição, o que força o autor a formular uma segunda tópica do aparelho psíquico. Será a partir dessas novas coordenadas teóricas que Lacan introduzirá na psicanálise a noção de gozo, o que exige que se formule uma ética própria ao nosso campo. Uma ética longe do Ideais e que seja capaz de abordar o impossível para cada sujeito.
O módulo tem como objetivo o estudo sistemático dos principais textos de Sigmund Freud, com ênfase em sua contribuição para a constituição da teoria psicanalítica. A leitura será feita de forma cronológica e crítica, destacando os momentos de inflexão conceitual e os impasses que atravessam sua obra. Serão abordadas as formulações sobre histeria, sonho, sexualidade, pulsão, narcisismo, luto, identificação, além da construção do modelo de aparelho psíquico e a metapsicologia. O percurso será tensionado por leituras que apontam os limites e os não-ditos da teoria freudiana, especialmente no que tange às categorias de raça, gênero e cultura. O módulo prepara o/a participante para uma leitura rigorosa da obra de Freud como campo em disputa e não como doutrina fechada.
Este módulo propõe um percurso histórico e crítico pelo nascimento e desenvolvimento da psicanálise, desde sua formulação inicial por Sigmund Freud até seus desdobramentos teóricos, institucionais e clínicos no século XX. Aborda o contexto europeu de emergência da psicanálise, os conflitos internos do movimento, a formação das escolas e instituições, e as grandes divisões teóricas (Freud, pós-freudianos, Lacan). Em seguida, o foco se desloca para a história da psicanálise no Brasil, examinando sua introdução, recepção e institucionalização em território nacional. A ementa destaca a relação entre psicanálise e colonialidade, as tensões entre importação e tradução conceitual, e o papel das margens na construção de práticas e saberes clínicos. Ao final, abre-se espaço para o debate contemporâneo sobre novas formas de escuta e agenciamento psicanalítico, com ênfase na psicanálise periférica e suas contribuições epistemológicas.
Decidi compartilhar neste momento de tantas lutas uma série de vídeos ou fragmentos que nos tragam inspiração para enxergarmos e aprendermos com as diferenças, com a geopolítica, com as religiões, com as culturas, com o amor e com o ódio. Vamos humanizar-nos!Hudson A. R. BonomoCurador
O Módulo busca introduzir os fundamentos epistemológicos e históricos da psicanálise a partir do trabalho teórico/clínico realizado por Freud. Contextualizar o surgimento da psicanálise enquanto ciência. Apresentar os conceitos centrais da metapsicologia freudiana. Busca introduzir um primeiro contato com o contexto histórico do movimento psicanalítico, seu surgimento com Freud e os principais conceitos, enfatizando a dimensão ética que fundamenta a psicanálise como um saber que não se sabe. Apresentamos de modo introdutório os seguintes conceitos: Pulsão; Inconsciente; Transferência e Sujeito Suposto Saber.
Letramento é o percurso pelo qual uma pessoa estimula e desenvolve não apenas a habilidade de ler e escrever, mas também a capacidade de compreender, interpretar e usar criticamente os conhecimentos relacionados a um determinado campo da vida social. Segundo Magda Soares (1998), a alfabetização corresponde ao domínio técnico da leitura e da escrita, enquanto o letramento diz respeito ao uso social dessas práticas, ou seja, à inserção do sujeito nas práticas culturais, históricas e políticas mediadas pela escrita. Assim, letramento não é apenas aprender a decodificar palavras, mas envolve se apropriar dos sentidos que circulam nos textos, nas instituições e nas relações sociais. Dessa forma, o letramento é uma prática social que possibilita ao sujeito se posicionar criticamente diante do mundo e agir de maneira transformadora na sua realidade. *SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.
Este curso foi pensado para pessoas que nunca tiveram contato direto com o tema ou que possuem apenas uma visão superficial sobre ele. A proposta é oferecer uma introdução clara e acessível, sem exigir leitura prévia de Freud, Lacan ou de outros autores clássicos, mas já apontando para suas contribuições.O objetivo é apresentar os conceitos fundamentais: o que se entende por luto, como ele se manifesta e se elabora, e de que forma se distingue da melancolia. Serão trabalhados aspectos emocionais, sociais e clínicos, sempre em linguagem simples, sem jargões técnicos, mas sem perder a profundidade necessária para abrir caminhos a estudos posteriores.Ao final, o participante terá uma noção para compreender a diferença entre um processo esperado de perda (o luto) e uma condição mais grave e complexa (a melancolia), podendo avançar depois para leituras mais detalhadas e cursos de nível intermediário e avançado.
O módulo propõe uma introdução crítica à psicopatologia na perspectiva psicanalítica, abordando as principais estruturas clínicas (neurose, psicose e perversão), bem como suas manifestações sintomáticas e modos de organização subjetiva. Ao invés de se fixar em classificações diagnósticas, o curso enfatiza o processo de escuta, a posição do sujeito e os modos de gozo. Parte da leitura de Freud e Lacan para, posteriormente, introduzir questões contemporâneas como a patologização da diferença, o excesso de medicalização e os efeitos do racismo, da pobreza e da exclusão na constituição do sintoma. Serão discutidas também formas de sofrimento que escapam às categorias clássicas, com atenção especial para experiências periféricas, coloniais e dissidentes.
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